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Cirurgia de extração de apêndice aumentaria chances de Parkinson, sugere estudo

Pesquisa analisou registros médicos de mais de 60 milhões de pessoas para encontrar associação, mas não está claro se existe ligação causal

Cirurgia de retirada de apêndice/Shutterstock

Pacientes que tiveram seu apêndice removido foram mais propensos a desenvolver doença de Parkinson do que pessoas que não passaram pelo procedimento. É o que diz o maior estudo feito até hoje para abordar a relação entre as duas condições. O estudo retrospectivo envolvendo mais de 62 milhões de prontuários de 26 sistemas de saúde será apresentado durante o Digestive Disease Week 2019, um evento que reúne gastroenterologistas do mundo inteiro em San Diego, nos EUA, a partir de 19 de maio.

“Pesquisas recentes sobre a causa do mal de Parkinson se concentraram em torno da alfa-sinucleína, uma proteína encontrada no trato gastrointestinal no início do Parkinson”, disse Mohammed Z. Sheriff, principal autor do estudo e médico da Case Western Reserve University. “É por isso que cientistas de todo o mundo têm procurado por evidências sobre o desenvolvimento do mal de Parkinson no trato gastrointestinal, incluindo o apêndice,.”

Descobertas anteriores sobre apendicectomia e Parkinson foram inconsistentes. Algumas pesquisas não mostraram nenhuma relação, enquanto um estudo europeu recente mostrou que os pacientes que ainda possuem seu apêndice tinham maior probabilidade de desenvolver o mal de Parkinson. Essa contradição levou Sheriff e seus colegas a buscar respostas para a pergunta usando dados dos EUA de uma empresa de registros de saúde eletrônicos baseada em Ohio, que extrai dados de 26 dos principais sistemas integrados de saúde.

Os pesquisadores analisaram registros eletrônicos de saúde que representam mais de 62,2 milhões de pacientes e identificaram aqueles que tiveram apendicectomias e foram diagnosticados com a doença de Parkinson pelo menos seis meses depois. Eles descobriram que entre 488.190 pacientes submetidos a apendicectomias, 4.470 0,92%, desenvolveram o Parkinson. Dos restantes 61,7 milhões de pacientes sem apendicectomias, eles identificaram apenas 177.230, ou 0,29%, que desenvolveram a doença. De acordo com essa análise, pessoas que passaram por uma apendicectomia tiveram uma probabilidade três vezes maior de desenvolver Parkinson do que aqueles que não sofreram a cirurgia.

Os pesquisadores encontraram níveis de risco semelhantes em todas as faixas etárias, independentemente de sexo ou raça. Além do período de seis meses programado em sua consulta inicial do banco de dados, os pesquisadores não puderam dizer, a partir dos registros identificados, exatamente quanto tempo se passou desde a apendicectomia até o diagnóstico de Parkinson.

“Esta pesquisa mostra uma relação clara entre o apêndice, ou a sua remoção, e a doença de Parkinson, mas é apenas uma associação”, disse Sheriff. “Pesquisas adicionais são necessárias para confirmar essa conexão e entender melhor os mecanismos envolvidos.”