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Depressão e doenças cardiovasculares têm forte associação, sugere estudo

Quanto mais grave a depressão de uma pessoa, maiores seriam as chances de ela sofrer de doenças cardíacas ou um derrame

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Quanto mais severa for a depressão de uma pessoa, mais chances ela terá de sofrer doenças cardíacas ou um derrame, de acordo com uma pesquisa preliminar que será apresentada American Heart Association’s Scientific Sessions 2019 (Sessões Científicas da Associação Americana do Coração). O evento anual,  que ocorrerá entre 16 e 18 de novembro na Filadélfia, EUA, apresenta um intercâmbio global dos últimos avanços da ciência cardiovascular entre pesquisadores e médicos.

“As doenças cardiovasculares estão relacionadas a diversos aspectos de saúde e bem-estar, incluindo saúde mental, e são afetadas por eles”, diz o autor do estudo, Yosef M. Khan, diretor nacional de Informática da Saúde Associação Americana do Coração em Dallas, Texas. “Descobrimos que o nível de depressão está fortemente ligado ao risco de sofrer com doenças cardíacas e derrames, mesmo depois de considerar outros fatores que poderiam impactar o risco, incluindo as variáveis usadas pela Associação Americana do Coração: idade, renda, educação, sexo e raça/etnia.”

Os pesquisadores analisaram a conexão entre depressão e doenças cardíacas não fatais, como insuficiência cardíaca, doença coronariana, angina, ataque cardíaco ou derrame em adultos norte-americanos com 20 anos ou mais. Usando os questionários para análise de depressão das Pesquisas Nacionais de Saúde e Nutrição (NHANES), foram identificados mais de 11.000 adultos diagnosticados com depressão. O número representa 231 milhões de adultos na população geral. Destas, cerca de 1.200 pessoas (equivalente a 20 milhões na população geral) disseram ter sido diagnosticadas com doença cardíaca ou derrame.

Uma análise para quantificar o vínculo entre depressão e doenças cardíacas não-fatais e derrame constatou que as chances aumentavam em 24% a cada aumento adicional no nível da depressão — ou seja, leve, moderada, moderadamente grave ou grave.

“As implicações desse aumento são vastas”, diz Khan. “Ao entender a relação e o grau de impacto, podemos identificar, prevenir, tratar e criar políticas e estratégias para ajudar a diminuir as doenças cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida, lidando com a saúde mental e as doenças cardíacas juntas”.

Estudos são necessários para determinar se a depressão causa doenças cardiovasculares ou se essas doenças causam depressão, segundo os autores.

Associação Americana do Coração