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Estação do Brasil na Antártica será reinagurada amanhã

Oito anos após incêndio que destruiu instalações anteriores, nova base será mais ampla, terá mais laboratórios e foi planejada para minimizar impacto ambiental

Vista da ilha do Rei George com a estação Comandante Ferraz

Está prevista para amanhã a reinauguração da Estação Antártica Comandante Ferraz. A nova estação foi erguida na ilha do Rei George, no mesmo local onde se erguiam as instalações anteriores da estação, destruídas por um incêndio oito anos atrás.  O vice-presidente Hamilton Mourão e os ministros Marcos Pontes (MCTIC), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Fernando Azevedo e Silva deveram participar da cerimônia, como parte de uma delegação de 45 autoridades.

A inauguração  é o ponto culminante de um projeto ambicioso, que consumirá quase US$ 100 milhões em investimentos e que vai disponibilizar aos pesquisadores brasileiros uma das mais modernas instalações científicas da região, capaz de resistir até a ventos de até 200 km/h e abalos sísmicos.

A base possui uma área de 4.500 m2 e poderá abrigar 64 pessoas, entre pesquisadores e pessoal de apoio. Isso é quase o dobro da área da base original, que era de 2.600 m2. Ela dispõe de 17 laboratórios, sendo 14 internos e três externos, em módulos isolados. A maior parte dos pesquisadores que devem utilizá-los pertencem as áreas de meteorologia, biociências, química, microbiologia, biologia molecular e bioensaios.

 

 

 

Além de laboratórios, a Comandante Ferraz  disporá também de 32 camarotes, ginásio, biblioteca e auditório.  A nova estação foi projetada  pelo escritório de arquitetura Estúdio 41 e construída pela empresa China National Eletronic Imports and Exports Corporation. Segundo a Marinha do Brasil, já foram pagos à empresa chinesa US$ 60 milhões. A conclusão do pagamento está prevista para 2022.

O planejamento buscou minimizar o impacto ambiental na região. Um sistema de raios Ultra-Violeta, por exemplo, será usado para o tratamento dos efluentes finais do sistema de água e esgoto, e será possível inclusive o reuso da água. A fim de minimizar o uso de combustível fóssil, a base usará energia gerada pelas vias solar e eólica, captadas por 30 painéis fotovoltaicos e 30 aerogeradores, além de diesel.

Mas embora a construção da base seja uma importante demonstração de compromisso do Estado brasileiro com a pesquisa, ainda há dúvidas sobre qual será o desenvolvimento do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), no qual se inserem as atividades de investigação da região propriamente ditas. Os pesquisadores brasileiros que atuam na Antártica têm sofrido nos últimos anos com inconstância de financiamento. Hoje, o Brasil é o país membro do bloco dos Brics que menos investe em estudos na região.

Cerca de 25% da pesquisa antártica brasileira ocorrerá na estação Comandante Ferraz. O restante será feito a partir do navio polar Almirante Maximiniano  e do módulo Criosfera 1, localizado no interior do continente.