Notícias

Estudo associa elevação dos níveis de oxigênio na Terra à ascensão dos dinossauros

Percentual do gás na atmosfera passou de 15% para 19%, durante o período em que animais tiveram explosão de tamanho nos EUA

Representação do Chindesaurus. Imagem: National Park Service/Jeffrey Martz

O aumento dos níveis de oxigênio na atmosfera, registrada há cerca de 215 milhões de anos, está associado à ascensão de dinossauros da América do Norte. Graças a uma nova técnica de medição, uma equipe de pesquisadores constatou que os traços da presença de oxigênio, encontrados em rochas coletadas em território norte-americano, saltaram em quase um terço em apenas alguns milhões de anos. Possivelmente, essa mudança ajudou a preparar o cenário para a expansão dos dinossauros, nos trópicos da América do Norte e em outras regiões. As descobertas foram apresentadas em uma palestra na conferência Goldschmidt Geochemistry, em Barcelona.

Os pesquisadores americanos desenvolveram uma nova técnica para liberar pequenas quantidades de gás do interior de minerais carbônicos antigos. Esses gases são canalizados diretamente para um espectrômetro de massa, que mede sua composição.

“Testamos rochas do Planalto do Colorado e da Bacia de Newark, que se formaram ao mesmo tempo no supercontinente Pangeia, separados por cerca de 1000 km de distância”, explica o autor principal do estudo Morgan Schaller, do Instituto Politécnico Rensselaer, em Nova Iorque. “Nossos resultados mostram que os níveis de oxigênio na atmosfera saltaram de cerca de 15% para cerca de 19%, em um período de cerca de 3 milhões de anos — o que é muito rápido, em termos geológicos. A título de comparação, na atmosfera de hoje o percentual de oxigênio é de  21%. Não sabemos exatamente o que pode ter causado esse aumento, mas também observamos uma queda nos níveis de CO2 no mesmo momento”.

“Imaginamos que essa mudança na concentração de oxigênio tenha sido uma tendência global e, de fato, mostramos que ela ocorreu em amostras coletadas a uma distância de r 1000 km. O notável é que, bem no pico do oxigênio, vemos o surgimento dos os chindessauros, os primeiros dinossauros a habitarem nos trópicos da América do Norte. Os saurópodes vieram logo depois. Ainda não podemos afirmar que tenha sido um fenômeno global, e os dinossauros só se tornaram ecologicamente dominantes na altura da extinção do fim do Triássico. O que podemos afirmar é que isso mostra que as transformações por que passava o ambiente há 215 milhões de anos eram adequadas para a diversificação evolutiva. Mas é claro que os níveis de oxigênio podem não ter sido o único fator “.

O Chindessauro era um dinossauro carnívoro bípede, com cerca de dois metros de comprimento e quase um metro de altura. Encontrado na América do Norte, com origem nos trópicos norte-americanos, era um dinossauro triássico característico do sudoeste dos Estados Unidos. Foi originalmente descoberto no Parque Nacional da Floresta Petrificada. Os saurópodes, que apareceram logo após dos chindessauros, foram os maiores animais a viver em terra.

“Os primeiros dinossauros eram bem pequenos, mas níveis mais altos de oxigênio na atmosfera são frequentemente associados a uma tendência para um tamanho maior”, comenta Mike Benton, da Universidade of Bristol, que não esteve envolvido no estudo. “Esse novo resultado é interessante, pois a ligação temporal entre o aumento do oxigênio e a mudança da aparência dos dinossauros parece boa, embora os dinossauros tenham se tornado abundantes na América do Sul um pouco antes, há cerca de 232 milhões de anos.”

Na época em que os gases foram aprisionados na rocha, o Planalto do Colorado e a Bacia de Newark faziam parte do gigante supercontinente Pangeia. Ambos estavam localizados perto do Equador. As rochas contendo oxigênio e dióxido de carbono foram datadas através da medição por decaimento radioativo do urânio encontrado nas amostras.

Goldschmidt Conference