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Índia localiza nave Vikram perdida na superfície da Lua

Através de uma outra espaçonave — o orbitador Chandrayaan-2 —, a Índia localizou sua sonda perdida, mas tentativas de estabelecer comunicação com o módulo ainda não foram bem sucedidas

Representação artística da Vikram pousando na Lua. (Crédito: ISRO/YouTube)

A sonda indiana Chandrayaan-2, que está em órbita da Lua, localizou a Vikram, o módulo de pouso do país que se perdeu durante um pouso na superfície lunar. Mas ainda não há registro de nenhum sinal vindo do módulo de pouso, de acordo com a mídia indiana.

K. Sivan, chefe da Organização de Pesquisas Espaciais da Índia (ISRO), disse que a sonda Vikram foi localizada no dia 8 de setembro pela Chandrayaan-2, e que os esforços para restaurar o contato com o módulo continuarão por pelo menos 14 dias, de acordo com uma reportagem do jornal Times of India.

“Encontramos a localização da sonda Vikram na superfície lunar, e a Chandrayaan-2 tirou uma foto térmica dela”, disse Sivan ao serviço de notícias da ANI em uma entrevista, acrescentando que as tentativas de comunicação com a sonda ainda estão em andamento.

A sonda Vikram ficou em silêncio na sexta-feira (6 de setembro), enquanto tentava um pouso pioneiro perto do polo sul da Lua. A  ISRO perdeu contato com a Vikram quando o módulo de aterrissagem estava apenas 2 quilômetros acima da superfície lunar, o que levantou o receio de que ela tivesse colidido com a Lua. A sonda Vikram é a primeira sonda lunar da Índia capaz de pousar, e está levando consigo o primeiro veículo lunar do país, chamado Pragyan.

Funcionários do ISRO ainda não divulgaram a imagem que Chandrayaan-2 tirou da Vikram na superfície lunar, nem descreveram a possível condição do módulo de aterrissagem. Mas disseram que, apesar da suposta falha na aterrissagem na Lua, a nave já testou com sucesso tecnologias essenciais para futuras missões.

“A Vikram seguiu a trajetória de descida planejada, de sua órbita de 35 km para pouco menos de 2 km acima da superfície”, escreveram autoridades do ISRO em uma atualização no sábado (7 de setembro). “Todos os sistemas e sensores do módulo funcionaram muito bem até este ponto e confirmaram a eficácia de muitas novas tecnologias, como a tecnologia de propulsão de impulso variável usada na sonda”.

Enquanto a ISRO tenta recuperar o contato com a sonda lunar Vikram, a espaçonave Chandrayaan-2 está indo bem em sua órbita lunar, disse a agência espacial. De fato, o orbitador poderia durar muito além de sua missão planejada de um ano.

“A câmera do orbitador é a de mais alta resolução (0,3 m) em qualquer missão lunar até agora, e deve fornecer imagens de alta resolução que serão imensamente úteis para a comunidade científica global”, disseram as autoridades da ISRO no comunicado de 7 de setembro. “O lançamento preciso e o bom gerenciamento de missões garantiram para a nave uma vida longa de quase 7 anos, em vez do um ano planejado.”

A Chandrayaan-2 está equipada com oito instrumentos científicos diferentes para estudar a Lua a partir de sua órbita. Esses instrumentos incluem: uma câmera de alta resolução; uma câmera de mapeamento do terreno lunar; um monitor de raios-X; um espectrômetro de infravermelho; um radar de abertura sintética de dupla frequência para estudar o gelo Lua e o mapeamento lunar; um sensor para estudar a fina exosfera da Lua; e um experimento de rádio de dupla frequência para estudar a ionosfera da Lua.

A Chandrayaan-2 é a segunda missão da Índia na Lua, depois da missão Chandrayaan-1, que durou de 2008 a 2009. Um instrumento usado nessa primeira missão identificou a assinatura espectral típica água em grandes faixas da Lua, com grandes concentrações em especial nos polos lunares, onde crateras permanentemente nas sombras permitem que a água fique congelada em forma de gelo.

O orbitador Chandrayaan-2 pretende continuar de onde seu antecessor parou.

“Esta é uma missão singular que tem como objetivo estudar não apenas uma área da Lua, mas todas as áreas que combinam a exosfera, a superfície e a subsuperfície da Lua em uma única missão”, disseram as autoridades da ISRO. “O orbitador já foi colocado em sua órbita prevista ao redor da Lua e enriquecerá nossa compreensão sobre a evolução do satélite e o mapeamento de minerais e moléculas de água nas regiões polares, usando seus oito instrumentos científicos de ponta.”

Tariq Malik – Publicado originalmente em SPACE.com