Notícias

Ingerir álcool no período da concepção é prejudicial para o desenvolvimento da placenta

Pesquisa mostra que álcool afeta o desenvolvimento fetal mais precocemente do que se pensava: até quatro dia antes da fecundação

O consumo de álcool durante a gravidez é associado com um baixo crescimento da placenta, causando problemas como restrição do crescimento fetal e baixo peso ao nascer. Embora a maioria das mulheres pare de beber depois de saber que estão grávidas, os efeitos do álcool durante os estágios iniciais da gravidez, até mesmo na época da concepção, são bem menos compreendido. Agora, a Drª Jacinta Kalisch-Smith, em conjunto com a professora Karen Moritz, da Universidade de Queensland, na Austrália, investigaram o impacto que o consumo de álcool no início da gravidez tem na placenta. Elas mostraram que o crescimento das placentas de ratos que consumiram álcool na época da concepção foi reduzido significativamente, fornecendo novas evidências de como as doenças relacionadas à gravidez se desenvolvem. A pesquisa foi publicada em junho na revista científica Development.

“Queríamos saber se a exposição precoce ao álcool poderia afetar o desenvolvimento do embrião inicial e da placenta. Usando um rato como cobaia, avaliamos a capacidade do embrião de se implantar no útero, e, mais tarde, a formação de vasos sanguíneos na placenta “, explica Kalisch-Smith.

Usando essa abordagem, as cientistas puderam estudar as mudanças que ocorrem durante a gravidez do rato e descobriram que uma exposição mesmo que precoce ao álcool (entre quatro dias antes e quatro dias depois da fertilização) restringia o crescimento e a função da placenta.

“Descobrimos que a exposição precoce ao álcool reduziu a formação de vasos sanguíneos na placenta, e isso levou a menos nutrientes sendo entregues ao embrião”, diz Kalisch-Smith.

Surpreendentemente, as placentas de embriões femininos foram especialmente afetadas, com redução de até 17% do tamanho e queda de 32% na formação dos vasos sanguíneos, limitando a capacidade da placenta de transportar nutrientes.

“Isso tem implicações grandes para a saúde humana, ajudando a explicar, em parte, por que os bebês expostos ao álcool no útero muitas vezes nascem pequenos”, conta Kalisch-Smith. “É importante entender as causas do baixo peso ao nascer, porque isso já se mostrou um fator de risco independente para doenças na idade adulta, como diabetes tipo 2, hipertensão e obesidade”.

Essas observações fornecem uma base importante para futuras pesquisas sobre problemas associados à gravidez, como a restrição do crescimento fetal. Kalisch-Smith adiciona: “A próxima parte do projeto é ver se a suplementação de nutrientes pode reduzir ou até prevenir os efeitos negativos da ingestão de álcool.”

 

THE COMPANY OF BIOLOGISTS