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No Brasil, psicólogo Stuart Vyse fala sobre ciência e superstição

Nos dias 8, 9 e 10 de agosto, o pesquisador norte americano ministrará palestras e workshops em São Paulo. A Scientific American Brasil conversou com o especialista sobre sua vinda e sua pesquisa

Divulgação

Especialista em comportamentos e crenças irracionais, o psicólogo e cientista comportamental norte americano Stuart Vyse virá ao Brasil para falar de ciência, superstições e irracionalidade. Convidado pelo Instituto Questão de Ciência, Vyse é autor de Believing in Magic: The Psychology of Superstition (“Acreditar na Magia: A Psicologia da Superstição”, em tradução livre), além de outros livros e artigos considerados referências na área. O pesquisador falará nos dias 8, 9 e 10 de agosto, em São Paulo (SP).

No primeiro dia (08/08), Vyse dará a palestra “Why People Believe What They Believe” (“Por que as pessoas acreditam no que acreditam”), no Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP), das 14h às 17h. Na quinta-feira, ele ministrará o Workshop “Science and Clinical Psychology: How to Make Them Allies” (“Ciência e Psicologia Clínica: Como torná-las aliadas”), das 9h às 12h, no Instituto de Psicologia, também na USP. Já no sábado, ele falará sobre “As Raízes da Superstição”, na Livraria Cultura da Av. Paulista, das 9h30 às 12h. 

A Scientific American Brasil conversou com o pesquisador sobre sua vinda ao Brasil e sua pesquisa.

Scientific American Brasil: Uma das palestras que o senhor ministrará no Brasil se chama “Por que as pessoas acreditam no que acreditam”, em português. Por que as pessoas acreditam no que acreditam?

Stuart Vyse: Algum tempo depois que eu já havia escolhido o título da minha fala, percebi que era algo muito amplo para se cobrir em uma única apresentação. Existem muitos motivos pelos quais pessoas acreditam no que acreditam. Minhas pesquisas e livros tratam das razões pelas quais as pessoas acreditam em coisas que provavelmente não deveriam acreditar, como superstições e outras ideias irracionais. Na minha palestra, vou focar como nossos valores morais e políticos influenciam nossa interpretação de ações de outra pessoas. Por exemplo, se alguém faz algo que acaba tendo consequências negativas — como machucar alguém, por exemplo —, é provável que consideremos que essas ações são mais intencionais do que se alguém fizer a mesma coisa, só que sem produzir os resultados negativos. As ações podem ser exatamente as mesmas, com o mesmo grau de intencionalidade, mas nosso desejo de punir comportamentos nocivos interfere na nossa capacidade de avaliar a situação racionalmente. Ações intencionais são mais dignas de punição do que algo que não é feito de propósito, e nosso desejo de corrigir um erro moral geralmente obscurece nossas crenças. Esse é o tipo de raciocínio irracional sobre o qual falarei na palestra.

SAB: Estamos vivendo em um planeta menos cético, se comparado com os últimos dez ou vinte anos?

SV: Acredito que é bastante óbvio que estamos vivendo em uma era de ignorância crescente e falta de apreço pela evidência, pelos motivos e fatos. Algumas vezes, os fatos têm implicações políticas, pessoais e sociais, e, como resultado, forças sociais poderosas são invocadas para derrotar fatos inconvenientes. Por exemplo, é bastante óbvio que a temperatura do planeta está aumentando, mas esse fato é um problema para várias indústrias, grandes e ricas. Representantes dessas indústria e partidos políticos se alinharam para promover desinformação e fazer alegações falsas de que as evidências científicas seriam políticas. A própria ideia de especialização em um assunto é frequentemente contestada, e cientistas são rejeitados por supostamente serem tendenciosos.

SAB: O senhor é especialista em comportamentos irracionais. É possível considerar que, um dia, a humanidade vai abrir mão dessas crenças e comportamentos irracionais? 

SV: Não acredito que algum dia iremos descartar completamente as crenças irracionais. Elas são muito atraentes e oferecem alguns benefícios psicológicos. Pegue, por exemplo, o caso das superstições. Os seres humanos sempre estão procurando uma maneira para controlar seus ambientes, mas, muitas vezes, eventos importantes em nossas vidas são difíceis de controlar. Nos preocupamos sobre entrevistas de emprego, com a estabilidade do casamento e com a saúde de nossos filhos. Quando não conseguimos ter certeza absoluta sobre eventos importantes em nossas vidas, geralmente procuramos algo que pode nos dar um empurrãozinho. Muitas vezes, é a superstição. A esperança é que no futuro possamos chegar a uma situação em que as pessoas saibam quando estão agindo irracionalmente e por quê. Então, pelo menos, poderemos ser um pouco mais racionais sobre nossa irracionalidade.

AGENDA

8 de agosto (14h às 17h)

Palestra: Why people believe what they believe

Local: Sala Alfredo Bosi – Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP)

Endereço: Rua da Praça do Relógio, 109, Cidade Universitária, São Paulo

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9 de agosto (9h às 12h)

Workshop: Science and Clinical Psychology: How to Make Them Allies

Local: Auditório Carolina Martuscelli Bori – Bloco G (César Ades) – Instituto de Psicologia

Endereço: Avenida Professor Mello de Morais, 1721, Cidade Universitária, São Paulo

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10 de agosto (9h30 às 12h)

Palestra: As Raízes da Superstição

Local: Teatro Eva Herz – Livraria Cultura da Av. Paulista – Conjunto Nacional

Endereço: Av. Paulista, 2073, Cerqueira César, São Paulo

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Bruno Carbinatto