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Projeto que quer criar “tabela periódica de células humanas” chega ao Brasil

Na próxima terça-feira, a iniciativa Human Cell Atlas se apresentará para comunidade científica brasileira em evento gratuito, em São Paulo

Divulgação

Em 2016, cientistas de diversos países se reuniram em Londres para estabelecer um ousado projeto: o Human Cell Atlas (HCA), que pretende construir uma série de mapas descritivos das células do corpo humano. A iniciativa — vista por muitos como a mais importante desde o sequenciamento do genoma humano, na década de 90 — pode estabelecer base para tratamentos de doenças mais específicos e uma maior compreensão do corpo humano no futuro. Agora, a iniciativa chega pela primeira vez na América Latina. Na próxima terça-feira (10), pesquisadores internacionais e brasileiros apresentarão o projeto à comunidade científica nacional, em um encontro no Instituto de Ciências Biomédicas da USP, em São Paulo.

O workshop ocorrerá das 8h30 às 12h50, no Anfiteatro Luiz Rachid Trabulsi do ICB III, na Cidade Universitária. Membros internacionais do projeto farão a apresentação, entre eles Alex K. Shalek (Massachusetts Institute of Technology, Estados Unidos),. Musa M. Mhlanga (University of Cape Town, África do Sul) e Jonah Cool (Chan Zuckerberg Science Initiative, Estados Unidos). Além deles, pesquisadores brasileiros falarão sobre as oportunidades que o Human Cell Atlas traz para a ciência brasileira em diversas áreas, como em estudos sobre doenças tropicais e câncer, por exemplo. Inscrições podem ser feitas online até 09/09 e a programação completa pode ser vista no link.

O projeto

Estabelecido em 2016, o Human Cell Atlas criou uma rede internacional de biólogos, médicos, matemáticos, cientistas de dados e pesquisadores de outras áreas a fim de mapear e categorizar todas as células do corpo humano. Até então, a única região que não era representada nesse esforço internacional era a América Latina, que passará a integrar a iniciativa através do Brasil.

“Todas as células do corpo têm o mesmo DNA. Mas, dependendo dos RNAs que codificam, elas têm funções diferentes, o que cria uma enorme diversidade”, explica Lucio Freitas-Junior, pesquisador do ICB-USP e integrante do Comitê de Equidade do HCA, responsável por organizar o workshop. No caso do câncer, por exemplo, existem pacientes que apresentam células tumorais resistentes aos tratamentos convencionais. Ao compreender como isso acontece e quais são as células resistentes, é possível desenvolver estratégias terapêuticas individualizadas para cada paciente — o que Lúcio chama de “medicina do futuro”.

A “tabela periódica de células” também pode trazer avanços importantes e complementares ao do sequenciamento do genoma humano, feito pelo Projeto Genoma. “Havia muitas expectativas sobre esse mapeamento, mas, no fim, vimos que era muito mais complexo do que pensávamos e surgiram mais perguntas do que respostas”, diz Lúcio. Com um detalhamento das células humanas — as mais básicas unidades de vida —, o entendimento sobre doenças, genéticas ou não, ficaria muito mais completo.

Com o protagonismo do Brasil no continente latino, Lúcio prevê que o projeto pode agregar muito à ciência nacional. “No Brasil, há muitos pesquisadores fazendo ótimos trabalhos, mas muito desconectados”, analisa Lúcio. Ele explica que o HCA é uma oportunidade para integrar conhecimentos no país , principalmente em uma época em que a ciência passa por dificuldades financeiras.

Serviço

Workshop “Mapping the Human Body: Introducing Human Cell Atlas to the Brazilian Scientific Community”

Data: 10/09/2019

Horário: 8h30 às 12h50

Local: Anfiteatro Luiz Rachid Trabulsi – Instituto de Ciências Biomédicas da USP (Av. Prof. Lineu Prestes, 2415, Cidade Universitária – Butantã)

Bruno Carbinatto