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Técnica que elimina células micróglias do cérebro pode ajudar a prevenir ocorrência de Alzheimer

Em estudo com animais, eliminação de células do cérebro impediu totalmente a formação das placas beta-amilóides características da doença

As micróglias, mostradas em vermelho, envolvem e reagem às placas de beta-amilóide, em verde, em um cérebro com doença de Alzheimer. Foto: Kim Green/UCI

Utilizando uma intervenção  cerebral experimental em laboratório, uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Ciências Biológicas da Universidade da Califórnia em Irvine descobriu uma técnica que parece prevenir a doença de Alzheimer. Os resultados poderiam, no futuro, ajudar na elaboração de medicamentos específicos para a prevenção da doença.

Os cientistas removeram células imunes, conhecidas como micróglias, do cérebro de roedores com Alzheimer. Eles descobriram que, nas cobaias, as placas beta-amilóides — proteínas características da doença — nunca se formaram. O estudo foi publicado em 21 de agosto na revista Nature Communications.

Pesquisas anteriores já haviam mostrado que a maioria dos genes de risco de Alzheimer estão ativos nas micróglias, sugerindo que essas células desempenham um papel importante na doença. “No entanto, não entendemos exatamente como as micróglias agem e o quão significativas são  nos processos iniciais do Alzheimer”, diz Kim Green, professor associado de neurobiologia e comportamento. “Decidimos, então, pesquisar essa questão observando o que aconteceria quando não há micróglias”.

Os pesquisadores usaram uma substância que bloqueia a sinalização de micróglias, algo necessária para sua sobrevivência. Green e seu laboratório já haviam mostrado anteriormente que bloquear essa sinalização efetivamente elimina essas células imunes do cérebro. “O que foi surpreendente sobre esses estudos é que descobrimos que em áreas sem micróglias, as placas não se formaram”, conta Green. “No entanto, em lugares onde as micróglias sobreviveram, as placas se desenvolveram. Não há doença de Alzheimer sem essas placas, e agora sabemos que as micróglias são um componente necessário para desenvolvimento da doença de Alzheimer.”

Os cientistas também descobriram que, quando as placas estão presentes, as micróglias as identificam como nocivas e as atacam. No entanto, o ataque também desliga genes em neurônios necessários para o funcionamento normal do cérebro. “Esta descoberta ressalta o papel crucial dessas células imunes do cérebro no desenvolvimento e na progressão da doença de Alzheimer”, diz Green.

O professor Green e seus colegas dizem que sua descoberta é promissora para a criação de futuras drogas que previnam a doença. “Não estamos propondo remover toda as micróglias do cérebro”, explica Green, ressaltando a importância das células na regulação de outras funções cerebrais. “O que poderia ser possível é desenvolver terapias que afetem as micróglias de maneiras específicas.”

Ele também acredita que a abordagem da pesquisa oferece uma maneira de entender melhor outros distúrbios cerebrais.

“Essas células imunológicas estão envolvidas em todas as doenças neurológicas e até mesmo em lesões cerebrais”, diz Green. “A remoção das micróglias poderia permitir um meio para pesquisadores dessas áreas determinar qual o papel dessas células e um possível direcionamento para novos tratamentos.” 

 

Universidade da Califórnia em Irvine