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Terapia de reposição de testosterona pode aumentar risco de derrame e ataque cardíaco em homens de meia idade

Novo estudo recomenda cautela na prescrição do tratamento, que pode ter mais desvantagens que vantagens

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Homens de meia idade com baixos níveis de testosterona que fazem terapia de reposição hormonal com testosterona (TRT) correm um risco ligeiramente maior de sofrer acidente vascular cerebral isquêmico (AVC), ataque isquêmico transitório (AIT) ou infarto do miocárdio, especialmente durante os dois primeiros anos de uso, indica um novo estudo na revista American Journal of Medicine. As descobertas confirmam as preocupações de muitos agentes de saúde sobre os riscos potenciais associados ao tratamento.

O estudo analisou uma grande base de dados de registros médicos eletrônicos de pacientes em serviços de cuidados primários no Reino Unido, resultando em um grupo de 15.401 homens, de 45 anos ou mais, com baixos níveis de testosterona (hipogonadismo). Usuários de TRT tiveram um risco 21% maior de sofrer eventos cardiovasculares em comparação com não usuários, correspondendo a um adicional de 128 eventos. O aumento do risco parece ser transitório, diminuindo após dois anos de tratamento, algo que os pesquisadores atribuem a um fenômeno chamado “esgotamento de suscetíveis”.

“Nossos resultados mostram que o uso de TRT foi associado com um risco maior de acidente vascular cerebral, AIT ou parada cardíaca durante os primeiros dois anos de uso”, observa Christel Renoux, do Centro de Epidemiologia Clínica do Instituto Lady Davis para Pesquisa Médica e do Departamento de Epidemiologia, Bioestatística e Saúde Ocupacional da Universidade McGill, no Canadá. “Há evidências limitadas sobre os benefícios de longo prazo da TRT para tratar, com eficácia, os baixos níveis de testosterona endógena em homens de meia idade saudáveis. Recomendamos fortemente que os médicos ajam com cautela ao considerar a prescrição de TRT e que considerem primeiro tanto os potenciais benefícios como os potenciais riscos aos pacientes.”

A pesquisa visou estudar especificamente homens com baixos níveis de testosterona devido ao envelhecimento, e não devido a causas secundárias conhecidas. Embora as taxas relatadas de hipogonadismo tenham permanecido estáveis nos últimos 20 anos, as prescrições de TRT aumentaram, e o tratamento é cada vez mais prescrito para aliviar sintomas não específicos do envelhecimento, como fadiga e um modesto declínio no funcionamento sexual. 

Uma descoberta interessante foi que o uso atual de TRT foi associado com um menor risco de mortalidade geral, enquanto o uso anterior foi associado com um risco maior. Embora isso possa indicar algum efeito protetor, também pode ser devido à causalidade reversa, com os clínicos descontinuando o tratamento com TRT em pacientes com deterioração de saúde. A análise teve acesso ao histórico anterior dos pacientes, e foi capaz de se ajustar às comorbidades.

“Outros estudos grandes e metodologicamente sólidos devem ser realizados para reafirmar os resultados. Até então, o potencial risco cardiovascular da TRT deve ser pesado contra os benefícios percebidos e esperados entre homens de meia idade, uma perspectiva que se alinha com as advertências emitidas por  órgãos de saúde,” aconselha Renoux.

O estudo apareceu pela primeira vez online em abril de 2019, e será posteriormente publicado na edição de setembro de 2019 do American Journal of Medicine.

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