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Um pequeno passo para trás no tempo: relembre as maravilhas da missão Apollo 11

Meio século depois da chegada do homem à Lua, relembramos como conseguimos o impossível — e porque devemos fazê-lo novamente

Neil Armstrong achava que sua chance de sucesso era de 50%. “Há muita coisa desconhecida”, contou o primeiro homem a pisar na Lua, em uma entrevista em 2011 em uma empresa australiana de contabilidade. “Havia uma grande chance de ter algo lá que nós não entenderíamos corretamente e teríamos que abortar a missão e voltar para a Terra sem pousar.”  Mas ele, Edwin “Buzz” Aldrin e Michael Collins — com a ajuda de milhares de engenheiros, cientistas e controladores da Nasa na Terra — conseguiram de fato realizar um pouso na Lua, o que continua sendo uma das conquistas mais incríveis da humanidade. 

Considere que há 50 anos nesse mesmo mês o foguete Saturn V, medindo 36 andares e pesando tanto quanto 400 elefantes, levantou voo na Terra com uma explosão mais poderosa do que a potência de

Considere que há 50 anos, nesse mesmo mês, o foguete Saturn V, medindo 36 andares e pesando tanto quanto 400 elefantes, levantou voo na Terra com uma explosão mais poderosa do que a potência de 85 represas. Uma vez no espaço, os astronautas escaparam da órbita terrestre, viajaram para a órbita lunar e, então, desacoplaram parte da nave e conduziram-na abaixo para um impacto suave na terra alienígena. O que talvez seja ainda mais impressionante é o fato de que, após darem um passeio, eles voltaram para a nave, fizeram um lançamento a partir da superfície de um outro corpo planetário (outro feito inédito), reconectaram-se ao módulo de comando que orbitava a mais de 95 quilômetros da superfície lunar e então voaram de volta para a Terra, caindo com segurança no Oceano Pacífico dois dias depois.

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Pronto para o lançamento
O foguete Saturno V, preparado para levar a Apollo 11 ao espaço em sua plataforma de lançamento do Centro Espacial Kennedy.

Treino caracterizado
Aldrin treina para a missão alguns meses antes do lançamento, no Johnson Space Center da Nasa em Houston, Texas.

A prática leva à perfeição
Armstrong (à esquerda) segura uma sacola de amostras para Aldrin colocar uma rocha lunar, durante os ensaios da missão.

Praticando, com platéia
Armstrong se prepara para a missão, enquanto o diretor de operações da tripulação de voo, Deke Slayton (jaqueta escura e óculos) observa.

Testando a antena
Durante o treinamento, Armstrong configura uma antena de banda S, que foi projetada para ajudar a transmitir imagens ao vivo da missão de volta à Terra. No final, as comunicações do módulo lunar com a Terra foram consideradas boas o suficiente para que os astronautas pudessem deixar de lado a implantação da antena.

Um sexto de gravidade
Os astronautas também treinaram em uma aeronave que voou em padrões para produzir curtos períodos com um sexto da gravidade da Terra, coincidindo com a da lua. Na foto, Aldrin treinar com uma reprodução da escada que ele usará para sair do módulo lunar e andar na Lua.

Multidões de Cocoa Beach
Multidões se reuniram ao longo da Space Coast, na Flórida, para assistir ao lançamento da missão Apollo 11. Na foto, os espectadores em Cocoa Beach observam o foguete Saturno V decolar, em 16 de julho de 1969.

Assistindo ao lançamento
Os controladores de lançamento se levantam para olhar pela janela traseira da sala de disparo do Centro Espacial Kennedy e assistir à decolagem do Apollo 11.

Olhando pra cima
Fotógrafos e jornalistas observam o lançamento da Apollo 11, na área de imprensa no Centro Espacial Kennedy.

Depois desse feito arrebatador, sonhadores de todo o mundo imaginaram que faltaria pouco para colonizarmos a Lua e tirarmos férias em Marte. Porém, nenhum humano esteve de volta à superfície lunar desde que o último astronauta das missões Apollo partiu em 1972, e os planos para levar pessoas a Marte ou qualquer outro lugar no Sistema Solar são pouco mais claros do que eram nessa época. Parece que cada nova administração presidencial promete levar outra equipe para a Lua, mas, por enquanto, essas palavras soam como otimismo extravagante e inviável. Quando o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, anunciou em março que o governo Trump quer levar astronautas à superfície lunar até 2024, a reação do público foi de descrença. Mas o aniversário de 50 anos da Apollo 11 nos lembra que esse objetivo ambicioso já foi, na verdade, provado como algo viável — com um prazo curto, em uma época que computadores tinham o tamanho de salas, os Estados Unidos estavam perdendo a Guerra do Vietnã, as mulheres estavam marchando por igualdade e os afro-americanos, lutando, e muitas vezes sacrificando suas vidas, pelo direito de serem tratados como seres humanos.

As pessoas costumam associar o pouso na Lua com um dos melhores momentos para o país, uma era em que as coisas eram mais simples, melhores e mais esperançosas. Mesmo assim, a missão Apollo 11 não era a materialização de uma grande era — e sim a prova do fato de que podemos fazer coisas boas em tempos terríveis. Que mesmo quando estamos em dificuldade, quando nosso país está dividido e o mundo está assustador, devemos correr atrás de sonhos grandes. Apolo 11 nos mostrou, bem quando precisávamos, o melhor da humanidade. Agora, quando nosso planeta está enfrentando um conflito similar, precisamos fazer algo igualmente grandioso, quer isso implique voltar à Lua ou não.

Na superfície
Aldrin ao lado do Experimento de Composição do Vento Solar na superfície lunar, fotografado por Armstrong.

Sombra lunar
A sombra de Armstrong é visível nesta fotografia que ele tirou da Eagle, ao fundo.

Encontrando o lugar certo
Aldrin procura por uma área plana para preparar o Experimento Retrorrefletor a Laser, que mede a distância entre a Terra e a Lua para estudar a órbita de nosso satélite.

Pegada
Aldrin tirou essa fotografia de sua bota impressa na superfície lunar logo após pisar pela primeira vez na lua.

Bandeira complicada
Armstrong e Aldrin tiveram dificuldades para inserir o mastro da bandeira americana no solo lunar, que é bem diferente do da Terra. Eles conseguiram erguê-la, mas só conseguiram enterrar o mastro cerca de 18 centímetros dentro do chão.

Aproveitando o intervalo
Aldrin flutua dentro da Eagle.

Depois do passeio lunar
Logo após entrar no módulo lunar após a excursão na superfície, Aldrin tirou esta foto de um radiante Armstrong.

Banho de mar
O módulo de comando é lançado no Oceano Pacífico para concluir a missão Apollo 11, em 24 de julho de 1969.

Nas notícias
Mulheres e seus filhos a bordo do transatlântico da TS Bremen, lendo sobre a missão lunar no New York Daily News quando o navio atracou em Nova York.

Terra
Na órbita lunar, a tripulação da Apollo 11 tirou esta foto da Terra, mostrando todo o nosso planeta reduzido a uma pequena esfera azul parcialmente oculta.

 

Clara Moskowitz

Fotos: Nasa e Lunar & Planetary Institute