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Pesquisas nos EUA e na França não encontram nenhum benefício no uso da hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19

Estudo retrospectivo com veteranos de guerra nos Estados Unidos identificou taxa de letalidade mais alta em pessoas tratadas com o medicamento

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O uso da hidroxicloroquina não apresenta efeitos positivos no tratamento para a COVID-19. É o que aponta um estudo que avaliou de pacientes da Administração de Saúde dos Veteranos dos Estados Unidos. Além de não apontar benefícios, a pesquisa ainda detectou um aumento da taxa de letalidade daqueles que foram tratados com o fármaco, em comparação com os que não o receberam. 

O estudo foi publicado em um servidor de pré-publicações, o medrxiv.org, e comparou o resultado dos tratamentos sem hidroxicloroquina, com hidroxicloroquina e com o medicamento e azitromicina. A Agência Americana para  Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos permitiu o uso emergencial da hidroxicloroquina em tratamentos, mesmo sem evidências concretas de que ela seja eficaz. 

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A pesquisa, que se utilizou de prontuários médicos de veteranos de guerra, envolveu 368 pacientes envolvidos, segundo seu acesso a tratamentos com o medicamento. Entre os 97 pacientes que receberam apenas a hidroxicloroquina, a taxa de letalidade chegou a 27,8%; um total de 113 pacientes recebeu a hidroxicloroquina e o  medicamento azitromicina, e apresentou uma  taxa de letalidade de 22,1%. Por fim, os pacientes que não foram medicados registrou  taxa de letalidade de 11,4%. Além disso, as taxas de ventilação, nos três grupos respectivamente foram de 13,3%, 6,9% e 14,1%. 

Os autores do estudo escrevem que “não descobrimos evidências que o uso de hidroxicloroquina, com ou sem azitromicina, reduzia o risco de de ventilação mecânica em pacientes hospitalizados com COVID-19”. E destacam a maior mortalidade associado ao uso da hidroxicloroquina apenas. “Esses dados  destacam a importância de esperar por resultados dos estudos prospectivos randomizados e com grupos controle que estão em andamento,  antes de generalizar a adoção desses medicamentos”.  A pesquisa por si só não é um definitivo que o medicamento não é efetivo, por ter se utilizado de prontuários já realizados e não um ensaio clínico em larga escala.  

O presidente Donald Trump chegou a afirmar que o medicamento era um ponto de virada no combate a COVID-19, além de dizer que a hidroxicloroquina apresentava “tremenda promessa”. 

Além dessa pesquisa feita nos EUA,  um estudo francês também apontou nenhuma evidência que o uso de hidroxicloroquina seja efetivo contra COVID-19. O estudou reuniu 181 pacientes, dos quais 84 receberam a hidroxicloroquina. Durante a análise, 2,8% desses pacientes vieram a óbito em um período de sete dias, contra 4,6% do grupo que não foi medicado. Os autores concluem que os resultados não suportam o uso de hidroxicloroquina em pacientes hospitalizados com o vírus  SARS-CoV-2.   

Ambas as pesquisas ainda não foram revisadas, nem publicadas em revistas científicas. 

 

23/04/2020